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Salvar agentes ecológicos

Associação São José Operário receberá apoios diversos para continuar em atividade

Laranjeiras do Sul produz de 16 a 18 toneladas de lixo por dia. Conforme Osni Rodrigues, tesoureiro da Associação de Agentes Ecológicos São José Operário, no ano passado inteiro, os integrantes da entidade coletaram 106 mil quilos desse material. Em termos proporcionais, sem dúvida, o número é baixo. Contudo, ao se avaliar o impacto negativo gerado caso esses resíduos não fossem reaproveitados, percebe-se a importância social do trabalho desenvolvido pelos profissionais.

Apesar disso, a Associação São José passa atualmente por dificuldades. “Nos meses de janeiro e fevereiro de 2011 não temos conseguido saldar os débitos essenciais para a sobrevivência da entidade”, lamentou Rodrigues.  Para o  tesoureiro,  o fato de alguns catadores venderem o material a terceiros compromete o orçamento da instituição. “A necessidade imediata de dinheiro ocasiona isso. Na média, a renda dos associados é 300 reais mensais. Mas há campo e quantidade de material para ampliar o valor”, explica.

Outro problema enfrentado pela entidade é a possibilidade de perder o pavilhão onde é armazenado o material recolhido. “O espaço pertence à Crehnor e ela pediu a desocupação ainda este ano”, disse. Para entender as razões dessa situação desfavorável e propor soluções objetivando melhorias na gestão da São José Operário, a Acils realizou reunião na quinta-feira (10/02). Estiveram presentes representantes do legislativo laranjeirense, diretores da Acils e Conselho da Mulher Empresária e demais pessoas interessadas no tema.

Pré- projeto

Um dos motivos para o insucesso do trabalho dos coletores é a inexistência de políticas de incentivo à coleta seletiva do lixo. Aliado a isso, o local que recebe os detritos gerados no município piora todo o panorama. “Não podemos chamar aquele lugar de aterro sanitário. Ali funciona mesmo um lixão”, disse o vereador Moacir Frizzo. Segundo Osni Rodrigues, a cidade tem uma boa estrutura para realizar a separação dos materiais, faltando apenas a organização do trabalho. “Se a coleta seletiva for feita e o material enviado aos agentes ambientais, irá pro lixão só o que não pode mesmo ser aproveitado”, esclarece.

Durante o encontro, a presidente do Conselho da Mulher Empresária (CME)  da Acils, Karine Rocha Loures, apresentou um pré-projeto elaborado para incentivar a coleta seletiva em Laranjeiras. Segundo Karine, o CME já conseguiu do secretário de saúde Valdemir Scarpari o compromisso de destinar um caminhão coletor exclusivamente a esse trabalho. Outros pontos do pré-projeto preveem a conscientização dos cidadãos para o problema do lixo, a qualificação profissional dos catadores e a proposição de debate para instalar um aterro adequado a receber detritos. A presidente  esclarece que, para todas as ações do pré-projeto mostrado pelo CME sairem do papel, a união da sociedade é fundamental. “Poder público, empresas, instituições precisam somar forças, pois  devemos pensamos no problema do lixo, mas, principalmente na vida dessas pessoas, que hoje pouco têm”, afirmou.

Apoios

Colocar todos os cursos da instituição à disposição da Associação São José. Essa será a maneira de ajuda prestada pela Faculdades Alto Iguaçu (FAI). “Os acadêmicos de Serviço Social para colaborar na inclusão dos agentes; os de Tecnologia em Gestão Ambiental para discutir os aspectos relacionados ao meio ambiente; e os de Contábeis e Administração para ajudar nos aspectos gerenciais da Associação”, esclareceu a professora  Monica Bortolotti, representante da FAI no evento.

Outra entidade disposta a colaborar é a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). Segundo o professor Mariano Sanchez, um estudo sobre a realidade enfrentada pelos agentes, elaborado por acadêmicas da UFFS está em vias de ser concluído. “Um dos dados pertinentes é que 75% a 80% dos chamados ‘carrinheiros’ não participam da Associação. Isso precisa ser revertido”, disse. O resultado completo do estudo será divulgado na próxima reunião de trabalho do grupo, dia 26 de fevereiro, 19 horas na Acils.

Sobre o espaço usado hoje pela Associação São José,  Laureci Leal, da Crehnor comenta: “O barracão está sendo usado pelos agentes há mais de 2 anos e agora precisaremos dele. Não retiraremos as pessoas de lá de uma hora para outra, mas a mobilização por uma sede própria é necessária para viabilizar a sustentabilidade do empreendimento”,  disse.

A Acils, conforme o presidente Gizélio Linhares, além de mobilizar a sociedade para discutir o assunto, fará parte da comissão que irá cobrar do executivo local ações positivas a fim de ajudar a Associação São José. “A resolução dos problemas dos catadores passa pelo trabalho integrado entre poder público e sociedade. O Conselho da Mulher, a diretoria e os associados participarão de todas as etapas. Além disso, nossa sede sempre estará de portas abertas para os debates sobre o tema”, finalizou.

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