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Mercado financeiro prevê pela 1ª vez retração do PIB em 2015

O Produto Interno Bruto (PIB) deve “encolher” 0,42% neste ano, segundo a estimativa dos economistas do mercado financeiro. A previsão foi captada pelo Banco Central na semana passada, por meio de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras, e divulgada nesta quarta-feira (18).

Foi a sétima semana seguida de piora na estimativa do mercado para o PIB de 2015 e, também, a primeira vez que os analistas dos bancos previram encolhimento do PIB neste ano. Na semana retrasada, a expectativa era de um crescimento zero para o Produto Interno Bruto de 2015. Para 2016, o mercado continuou prevendo alta de 1,5% para o PIB.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços feitos em território brasileiro, independentemente da nacionalidade de quem os produz, e serve para medir o crescimento da economia.

Recessão
As previsões do mercado financeiro mostram que um cenário de recessão no fim de 2014 e início de 2015 não pode ser totalmente descartado. A recessão se caracteriza por dois trimestres consecutivos de contração do PIB.

A prévia do PIB divulgada pelo Banco Central na semana passada indicou para uma retração de 0,15% no PIB em 2014. Nos três últimos meses do ano passado, contra o trimestre anterior, o PIB teria registrado uma contração também de 0,15%, segundo a prévia divulgada pela autoridade monetária.

Os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o PIB do quarto tirmestre do ano passado, e também de todo ano de 2014, serão divulgados somente em 27 de março. No fim de outubro, o IBGE informou que a economia brasileira saiu por pouco da recessão técnica no terceiro trimestre de 2014 – quando o PIB cresceu 0,1% na comparação com o trimestre anterior.

Em janeiro, durante encontro reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse que espera um PIB “flat” (próximo de zero) neste ano. Ele também admitiu que poderia haver um trimestre de contração do PIB, mas negou que poderia haver recessão.

Inflação em alta
Ao mesmo tempo em que baixou sua estimativa para o PIB deste ano, o mercado financeiro também elevou, de novo, sua previsão de inflação.

A expectativa dos analistas para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, que estava em 7,15% na semana retrasada, subiu para 7,27% na última semana. Foi a sétima alta seguida na estimativa para a inflação de 2015. Se confirmada, a taxa de 7,27% será a maior desde 2004, quando ficou em 7,6%. Para 2016, a previsão do mercado ficou estável em 5,60%.

Com isso, a estimativa do mercado para o IPCA de 2015 segue acima do teto do sistema de metas. A meta central de inflação para este ano e para 2016 é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para mais ou para menos. O teto do sistema de metas, portanto, é de 6,5%. Em 2014, a inflação somou 6,41%, o maior valor desde 2011.

No começo deste mês, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, ficou em 1,24% em janeiro, depois de avançar 0,78% em dezembro do ano passado. Essa foi a taxa mensal mais alta desde fevereiro de 2003, quando ficou em 1,57%. Em 12 meses, o indicador acumula alta de 7,14% – a maior desde setembro de 2011, quando o índice atingiu 7,31%.

Cenário para a inflação em 2015
Segundo analistas, a alta do dólar e dos preços administrados (como telefonia, água, energia, combustíveis e tarifas de ônibus, entre outros) pressionam os preços em 2015. Além disso, a inflação de serviços, impulsionada pelos ganhos reais de salários, segue elevada.

O governo, para reorganizar as contas públicas, informou que não fará mais repasses para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) neste ano, antes estimados em R$ 9 bilhões. Com isso, a alta da energia elétrica pode superar 40% em 2015.

Ao mesmo tempo, também anunciou o aumento da tributação sobre os combustíveis, o que pode gerar um aumento de mais de 8% na gasolina e de 6,5% no diesel nas próximas semanas. Com isso, os chamados “preços administrados”, segundo o próprio Banco Central, devem subir pelo menos 9,3% em 2015, o maior aumento desde 2004 – quando avançaram 9,77%. O peso dos preços administrados no IPCA é de cerca de 25%.

Taxa de juros
Para a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, que avançou recentemente para 12,25% ao ano, a expectativa do mercado subiu de 12,50% para 12,75% ao ano no fim de 2015.

Isso quer dizer que os analistas dos bancos passaram a prever um aumento maior dos juros neste ano. Para o término de 2016, a previsão do mercado permaneceu estável em 11,50% ao ano.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para tentar conter pressões inflacionárias. Pelo sistema de metas de inflação brasileiro, o BC tem de calibrar os juros para atingir objetivos pré-determinados. Em 2015 e 2016, a meta central é de 4,5% e o teto é de 6,5%.

Câmbio, balança comercial e investimentos estrangeiros
Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2015 subiu de R$ 2,80 para R$ 2,90 por dólar. Para o término de 2016, a previsão dos analistas para a taxa de câmbio avançou de R$ 2,90 para R$ 2,93 por dólar.

A projeção para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as importações) em 2015 ficou estável em US$ 5 bilhões. Para 2016, a previsão de superávit comercial permaneceu em US$ 12 bilhões.

Para este ano, a projeção de entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil ficou estável em US$ 60 bilhões. Para 2016, a estimativa dos analistas para o aporte subiu de US$ 59,5 bilhões para US$ 60 bilhões.

Gonte: G1

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