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Balança comercial tem déficit na semana e saldo no mês fica negativo

A balança comercial brasileira registrou um déficit (importações maiores do que vendas externas) de US$ 461 milhões na semana passada, informou nesta segunda-feira (24) o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Na última semana, as exportações avançaram 1%, contra as duas primeiras semanas deste mês, com alta nas vendas de semimanufaturados e queda nas exportações de manufaturados e básicos. As compras do exterior, por sua vez, subiram 13,2% nesta comparação – impulsionadas, principalmente, pela importação de combustíveis e lubrificantes, veículos automóveis e partes, entre outros.

Com o resultado da semana passada, o saldo parcial deste mês, que estava positivo até a semana anterior, “virou” e passou a ficar também deficitário, no valor de US$ 60 milhões, até 23 de março. Se confirmado o resultado negativo em março fechado, será o terceiro mês seguido de déficit na balança comercial brasileira.

Acumulado do ano
Na parcial de 2014, até 23 de março, as importações superaram as exportações, resultando em déficit comercial, de US$ 6,24 bilhões, ainda segundo dados oficiais. No mesmo período do ano passado, o resultado negativo somava US$ 5,53 bilhões.

No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 44,18 bilhões, com média diária de US$ 803 milhões, uma queda de 1,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 50,42 bilhões, o equivalente a US$ 916 milhões em média por dia útil, com recuo de 0,4% sobre o mesmo período de 2013.

Resultado de 2013
Em 2013, a balança comercial brasileira registrou superávit (exportações menos importações) de US$ 2,56 bilhões, o pior resultado para um ano fechado desde 2000 – quando houve déficit de US$ 731 milhões.

De acordo com o governo, a piora do resultado comercial do ano passado aconteceu, principalmente, por conta do serviço de manutenção de plataformas de petróleo no Brasil, que resultou na queda da produção ao longo de 2013, e pelo aumento da importação de combustíveis para atender à demanda da economia brasileira.

Os dados oficiais mostram, porém, que o saldo comercial do ano passado só foi positivo por conta da “exportação” de plataformas de petróleo que, na realidade, nunca deixaram o Brasil. Essas operações somaram US$ 7,73 bilhões em 2013.

As plataformas foram compradas de fornecedores brasileiros por subsidiárias (empresas que têm o capital de outras) no exterior de companhias como a Petrobras e, depois, “internalizadas” no país como se estivessem sendo “alugadas”, mesmo sem saírem fisicamente do Brasil. Com isso, as empresas do setor recolhem menos tributos.

Expectativa para este ano
A expectativa do mercado financeiro para este ano, segundo pesquisa realizada pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, é de melhora do saldo comercial. A previsão dos analistas dos bancos é de um superávit de US$ 4,7 bilhões nas transações comerciais do país com o exterior.

O BC, por sua vez, baixou nesta segunda-feira(24) sua previsão para o superávit da balança comercial deste ano. Antes, a autoridade monetária projetava um saldo positivo de US$ 10 bilhões para 2014 – valor que caiu para um superávit de US$ 8 bilhões, com exportações em US$ 253 bilhões e compras do exterior no valor de US$ 245 bilhões.

Segundo economistas, o melhor desempenho da economia mundial, conjugado com a alta do dólar, em comparação com o preço médio de 2013, tende a impulsionar as exportações brasileiras neste ano e a frear um pouco o ímpeto das compras no exterior.

Fonte: Revista Exame

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